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THE_CLUST3R: LUZES DE NATAL (CAP. 06)

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Já passavam das dez da noite quando a exposição tinha chegado ao seu fim. Os convidados já haviam ido embora e os artistas começavam a juntar as suas artes. Lautaro recolhia os seus desenhos enquanto Scott juntava seus quadros abstratos e os colocavam empilhados um do lado do outro em um canto da sala. Enquanto Scott retirava cada um dos quadros da parede, Lautaro observava cada um deles com mais detalhes. Eram lindos e Scott realmente tinha uma criatividade fenomenal, o que fazia dele um grande artista também.

Você só faz trabalhos abstratos? - Perguntou Lautaro que com curiosidade puxava algum assunto enquanto enrolava alguns de seus desenhos nas mãos.

Ah, já tentei fazer alguns abstratos em fluxos de cores onde misturei várias tonalidades, mas não acho que deram muito certo.

Os de hoje envolvem uma mesma tonalidade utilizando uma mesma paleta de cores. - Comentou Lautaro se aproximando de um dos quadros. - Eu normalmente gosto deste tipo de estilo.

Eu percebi. Você usa mais traços de carvão, então, paleta de cores para você não chega a ser muito atrativo. Não é?

É, na verdade, eu tenho bastante dificuldades em dar cores e vidas aos meus desenhos. - Riu Lautaro. - Então prefiro fazê-los em traços fortes e esboçados em carvão, utilizando cores preto e branco.

Ficam bem bonitos também. - Sorriu Scott. - Vi que você consegue desenhar qualquer tipo de cenário e isso é muito interessante. - Pontuou ele.

Depende bastante de como sinto a minha criatividade naquele momento.

E o que normalmente você faz enquanto desenha?

Costumo ouvir algumas músicas. Estou sempre com fones de ouvido enquanto desenho e muitas canções acabam refletindo completamente no que eu coloco no papel. - Comentou Lautaro que sorriu e abaixou o olhar.

Eu normalmente gosto de saber o que leva outros artistas a se inspirarem. Minha inspiração acontece quando estou caminhando por alguns lugares de Nova Iorque e acabo me deparando com alguns lugares e penso “Por que não pintar isso?” e aí quando eu chego em casa, acabam saindo essas pinturas abstratas de uma só tonalidade, como essa aqui. - Disse ele pegando um dos quadros empilhados no canto. Era um dos quadros observados por Lautaro anteriormente quando ele se interessou pelos trabalhos de Scott.

O quadro pintado por Scott, tinha uma silhueta do Central Parque invertida que misturava alguns de seus prédios junto a um dos seus Skylines mais famosos de Nova Iorque que, em sua parte superior e inferior, misturava sua tonalidade escura e acinzentada com um fundo branco. Uma verdadeira obra de arte que facilmente poderia ser pendurada na sala de qualquer milionário que frequentasse uma galeria de artes por ali. Aquilo fazia com que Lautaro olhasse para Scott de uma forma completamente diferente. Seu trabalho conseguia ser completamente diferente de todos os outros expostos ali. Não que os quadros dos outros artistas fossem ruins, mas Scott conseguia trazer um tom diferente e um olhar completamente único para o que ele colocava em tela.

E o que você vai fazer depois daqui? - Perguntou Scott.

Sem planos. Estou indo para casa. - Comentou Lautaro que juntava seus desenhos e os colocava em baixo do braço.

E não está pensando em comemorar?

Não pensei em nada. - Sorriu. - E você?

Talvez eu passe em algum bar próximo de casa. Preciso apenas deixar estes quadros. - Comentou ele agarrando alguns dos quadros e os ajeitando para colocá-los próximos à porta da galeria.

Onde você mora?

Moro no Carroll Gardens no Brooklyn.

Moro a dez minutos de lá. Sou do Downtown Brooklyn.

Sério?

Sim.

Conheço uns bares por lá. Podemos beber algo. - Disse Scott dando uma pausa. - O que você acha?

Por mim, tudo bem. - Lautaro deu de ombros.

Vou chamar um táxi. - Disse ele fazendo sinal perguntando se Lautaro podia dar uma olhada nos quadros que estavam empilhados ao seu lado. - Você consegue tomar conta para mim, por favor?

Claro. Vai lá. - Disse ele sorrindo.

Enquanto Scott caminhava até o lado de fora da galeria, Lautaro correu seus olhos por toda a galeria e inclusive pelos quadros que estavam empilhados ao seu lado, mas tudo que Lautaro pensava em prestar atenção era no quando Scott havia chamado a sua atenção e despertado o seu interesse. Scott vestia um casaco em tonalidade escura que era quase um preto e que se mesclava a um metalizado que era semelhante a couro e abaixo do casaco ele vestia um suéter que cobria todo o seu pescoço. Sua calça era um jeans totalmente escuro, mas o suficiente para que ao caminhar até a beirada da calçada, e fazer sinal com as mãos para o táxi, ele conseguiu facilmente ver os músculos de Scott que marcavam a calça que mesmo com um jeans totalmente escuro, dava para perceber o quanto ele poderia ter um corpo um pouco mais avantajado.

Lautaro então o olhou meio que tentando disfarçar, enquanto seus olhos corriam por todo o corpo de Scott que ainda tentava fazer com que algum táxi parasse à sua frente e foi quando Scott se virou e percebeu que Lautaro talvez estivesse olhando para ele. Scott voltou com passos largos até a entrada da galeria e caminhando até Lautaro, agarrou alguns dos quadros e pediu que ele o ajudasse a carregar os demais. Lautaro fez um sinal com a cabeça concordando em ajuda-lo enquanto tentava colocar todos os seus desenhos que enrolados em cones estavam em baixo de seus braços com cuidado para que eles não se amassassem.

Lautaro agarrou dois quadros e foi caminhando atrás de Scott enquanto tentava com cuidado não deixar nenhum de seus desenhos cair ou amassar. Scott abriu a porta de trás do táxi e gesticulou com a mão para que ele pudesse entrar. Lautaro então colocou todo o seu corpo por dentro do carro fazendo com que o seu peso caísse em cima da poltrona e os quadros de Scott ficassem ao chão. Com cuidado, ele os ajeitou em cima de seus pés e arredou um pouco seu traseiro para o lado contrário da porta dando abertura para que Scott entrasse com os demais quadros.

Obrigado! - Disse Scott sorrindo.

Lautaro sorriu de volta e simplesmente não conseguiu se quer responder nada. Ele ficou em silêncio enquanto Scott falava o endereço para o motorista que se atentava nos mínimos detalhes colocando em um aplicativo no telefone que localizava o GPS. Scott esticou a manga do casaco para identificar que horas eram e calculou basicamente que entre uns vinte minutos estaria próximo à sua casa.

Acredito que vinte minutos estaremos chegando. - Comentou ele inclinando o pescoço para confirmar como estava o trânsito diante de si. - Se o trânsito talvez colaborar. Nova Iorque, não é?

Lautaro já sabia como era o trânsito de Nova Iorque principalmente durante aquele horário. Ele sabia que poderiam ter algum tipo de problema para chegarem no destino final, mas como eles não tinham nada programado, ele apenas ignorou o comentário de Scott que preocupado parecia estar com o horário. Lautaro pensou automaticamente de uma forma tão espontânea, se perguntando se ele tinha alguma coisa além de estar com ele para fazer em casa ou depois dali, mas simplesmente não perguntou nada. Ele pensava em que tipo de assunto poderia prender a atenção de Scott e começou a simplesmente se perguntar como ele poderia ser interessante em uma conversa.

Ser interessante. Lautaro se perguntava, mas por que ele estava preocupado em parecer interessante para Scott? Ele talvez pudesse simplesmente ter se interessado por ele e talvez estivesse tentando ignorar aqueles sinais. Que tipo de assunto? Ele se perguntava até que ele começou a prestar a atenção em algumas canções que tocavam na rádio naquele momento. Quais canções ele gosta? Lautaro se perguntou enquanto tentava identificar pelo estilo que tipo de música fazia com que ele se prendesse em um mundo completamente particular, dele mesmo, em que ninguém pudesse simplesmente estar. Que tipo de música você curte? Lautaro se perguntou talvez até alto demais e o suficiente para que Scott escutasse.

Que tipo de música eu curto? - Riu Scott. - Que pergunta. Assim, do nada?

Sim. - Riu Lautaro sem graça. - Estou prestando a atenção na canção que toca na rádio e simplesmente fiquei curioso. Qual é o seu estilo? Digo, qual é a sua inspiração enquanto você está simplesmente... - Lautaro buscava as palavras.

Simplesmente pintando? - Riu Scott.

Isso. Pintando. - Afirmou Lautaro.

Ah, eu gosto de ouvir bastante Radiohead. Acho que as minhas maiores inspirações vieram de quando eu escutava alguns de seus álbuns, principalmente o álbum The Bends. - Comentou Scott fazendo referência ao álbum da banda lançado em 1995, famoso por trazer em sua grande cartilha músicas como High and Dry.

Radiohead. - Repetiu Lautaro que já tinha escutado algumas músicas, mas nunca tinha se aprofundado em todas as canções da banda ao ponto de conhecer todo o seu trabalho e conseguir conversar tão abertamente com Scott a respeito de seu gosto musical.

Eu já ouvi uma música deles, mas não me lembro o nome.

Como não se lembra de uma canção de Radiohead?

Eu simplesmente não me lembro.

Cite uma.

Citar uma? - Perguntou Lautaro. - Você está mesmo me pedindo para citar uma música de Radiohead?

Quem não conhece?

Eu talvez não conheça.

Scott simplesmente sorriu e olhou para a rua que corria lá fora, em seguida voltou seu olhar para Lautaro.

Que tipo de música você escuta?

Eu ouço bastante um rock e pop alternativo. - Lautaro deu de ombros.

Pop? - Riu Scott.

Pop alternativo.

Pop alternativo... - Repetiu.

É um pop indie que não é um estilo de pop que chega a ser o ponto de ser tão dançante assim. Consegue entender?

Acho que sim. Talvez eu conheça algumas bandas, mas agora de cabeça, eu não consigo me lembrar de nenhuma.

Lautaro ficou em silêncio tentando imaginar o que se passava na cabeça de Scott quando ele simplesmente respondeu que ouvia pop alternativo. Teria ele desdenhado do estilo pop que ele disse gostar? O que foi aquele sorriso? Lautaro se perguntou.

Por que você riu? Você não gosta de pop alternativo?

Não é um estilo que eu goste para simplesmente conseguir ouvir e, sei lá, gostar ao ponto de conseguir me inspirar para pintar algum tipo de arte. Você me entende?

Entendo, mas inspirações às vezes acontecem de forma que talvez você nem imagina. Elas simplesmente acontecem. - Comentou ele sorrindo.

Qual foi a inspiração mais absurda que você já teve? - Perguntou Scott que deu mais um sorriso.

Como assim? - Perguntou ele um pouco na dúvida enquanto tentava pensar e buscar uma resposta que fosse simplesmente algo que ele quisesse ouvir. Quisesse. Por que isso naquele momento? Será que ele estava evitando mais um sorriso de Scott que se ele se quer conseguia identificar e saber o que se passava na cabeça dele?

Não sei. Seus desenhos. Você deve ter muitos outros em casa. Quais deles foi o que mais te despertou algo que você parasse e se perguntasse “O que aconteceu aqui?”.

Eu tenho alguns, mas tem um em específico que eu guardo para mim. Esse eu nunca mostrei para ninguém. É algo mais intimista.

Deve ser um dos seus melhores trabalhos.

Acho que não. É algo de dentro. Sabe? Quem se interessa por algo que vem de dentro de nós, além de nós mesmos?

Muita gente pode se interessar. - Comentou Scott dando mais um sorriso. - Inclusive eu acabei de me interessar por esse seu trabalho intimista. Gostaria de poder vê-lo um dia.

Posso ver se consigo te mostrar. Talvez eu me sinta um pouco envergonhado, mas não ao ponto de me perguntar se é algo que eu realmente mostraria, mas talvez eu consiga. Não sei.

Lautaro abaixou o olhar enquanto sentiu suas bochechas queimarem de vergonha. Ele estava sentindo-se um pouco tímido e era estranho a forma com a qual ele se sentia naquele momento. Timidez. Talvez aquele sentimento fosse relacionado ao que ele tinha criado que falava muito mais dele do que propriamente das coisas ao seu redor. Ele deveria trabalhar aquele sentimento.

É aqui. - Comentou o motorista chegando ao destino final. O carro estacionou em frente a uma das escadas que levava a um prédio de três andares em que Scott vivia.

Tudo bem. Vamos descendo. - Comentou ele abrindo a porta enquanto agarrava o telefone para combinar o tipo de pagamento com o motorista.

Lautaro desceu do carro com seus desenhos em baixo do braço enquanto tentava retirar os quadros que estavam ao seu lado com cuidado para que os colocasse do lado da escada do prédio. Enquanto Scott realizava o pagamento, ele o observava novamente de costas e sentia um interesse estranhamento absurdo que nem ele conseguia explicar que tipo de interesse ele tinha em Scott. Talvez um tipo de curiosidade em saber o que mais Scott tinha para contar sobre si.

Scott fechou a porta do carro e se virou em direção a Lautaro caminhando até ele buscando as chaves em um de seus bolsos do casaco. Ele procurava onde tinha as guardado enquanto Lautaro ficava em pé o olhando e tentando descobrir se ele tinha curiosidade ou interesse em Scott naquele momento. E se fosse os dois? Até que ponto o interesse conseguia chegar e até que ponto chegaria a curiosidade?

Retirando as chaves do bolso, Scott abriu a primeira porta e acendeu uma das luzes do corredor onde havia uma escada ampla de mais ou menos uns dez degraus que eles deveriam subir. Era no segundo andar que Scott morava. Havia um corredor extenso e no final dele, era o seu apartamento.

Scott foi caminhando na frente e abriu a porta do apartamento e com uma das mãos correu pela parede arrastando um dos dedos até o interruptor para que a luz acendesse.

Lautaro entrou em seguida e colocou os quadros do lado da porta enquanto Scott tentava buscar algum lugar que pudesse organiza-los de forma que eles conseguissem ficar melhor empilhados e eles pudessem sair logo para algum bar na redondeza.

Pode traze-los até aqui, por favor. - Pediu Scott.

Lautaro carregou os quadros e os colocou empilhados nos outros que Scott encostou na parede.

Bom, aqui estamos. - Riu Scott.

Você me dá um pouco de água? - Pediu ele com os lábios secos.

Claro. - Assentiu Scott caminhando até a geladeira enquanto retirava o seu casaco.

Scott usava um suéter de gola alta que tampava todo o seu pescoço. Caminhando até a geladeira, ele agarrou uma garrafa e um copo e entregou nas mãos de Lautaro que o pegou e deixou com que ele simplesmente enchesse-o para ele. Lautaro tentava não prestar a atenção em Scott enquanto ouvia o barulho da água que aos poucos preenchia todo o corpo.

Ao encher o copo de Lautaro, ele se virou novamente e buscou um segundo copo atrás de si e o agarrou de uma forma que conseguisse também enchê-lo. Com o copo cheio, ele levou até a boca e o virou como se sua sede fosse tão grande que ele se quer conseguia se conter para beber tão devagar quanto Lautaro fazia. Lautaro ficou olhando para Scott enquanto sua laringe se movimentava se enchendo de líquido e seu pomo de adão que era completamente ressaltado subia e descia conforme a água entrava por sua boca e percorria por todo o seu pescoço.

Tem um bar aqui do lado. - Comentou Scott que já buscava algumas palavras para explicar que tipo de bar ele gostaria de levar Lautaro. - Normalmente toca algumas músicas alternativas. Talvez você goste.

Podemos ir. Não conheço muito os locais por aqui.

Então, vamos conhecer.

Eu vou confiar em você.

O suficiente para você não se arrepender?

Talvez eu me arrependa, mas eu teria me arrependido muito mais se eu tivesse ido para casa sozinho. Quem sabe?

É uma boa resposta. - Sorriu ele.

Quanto tempo andando?

Uns cinco minutos. É bem aqui do lado.

Tudo bem. Eu pago a sua bebida. Você pagou o carro até aqui. - Ressaltou ele.

Não precisa. - Riu. - Mas se você insiste, pode me pagar uma bebida.

Lautaro assentiu com a cabeça enquanto seus olhos percorreram pelo apartamento de Scott e ele percebia aos poucos o quanto ele conseguia ser não só interessante como pessoa, mas ao mesmo tempo ser no mínimo curioso. Ele não tinha nenhum livro exposto, o que fazia Lautaro se perguntar sobre o que ele gostava de ler e se ele gostava de ler alguma coisa. Como seria Scott?

Vamos? - Chamou ele abrindo a porta e dando abertura para que Lautaro passasse.

Lautaro passou e logo em seguida ele caminhou atrás e dessa vez foi a hora de Scott prestar a atenção em Lautaro. Scott simplesmente o observou de costas e com um pouco mais de curiosidade em saber o que Lautaro tinha para mostrar. Ele tinha mais curiosidade do que interesse propriamente dizendo. Ele havia convidado Lautaro para ir a um bar simplesmente para conversar e conseguir estar com alguém para comemorar a noite que eles tiveram, aliás, eles tinham dado um grande passo como artistas e precisavam comemorar. Lautaro parecia uma pessoa sozinha que provavelmente ficaria em casa, sozinho, após ter exposto seus desenhos e ter sido muito elogiado.

Ele percebia o quanto Lautaro era elogiado, mesmo estando atento às pessoas que paravam em frente aos seus quadros e observavam buscando os detalhes em seus traços completamente abstratos tentando encontrar algum tipo de significado ou referência que muitas vezes só existiria para ele e que as pessoas apenas veriam os traços e a mistura de cores e achariam aquilo um tanto magnifico ao ponto de quererem pendurar em uma sala ou quarto.

Lautaro desceu as escadas e Scott observava cada movimento dele e a forma como ele caminhava. Teria ele interesse em outros rapazes? Ele se perguntava, mas provavelmente já conseguia saber a resposta, mas ao mesmo tempo não pensava a respeito disso, pois ele sempre achava que rótulos não eram tão interessantes para ele ao ponto de pensar que as pessoas conseguiam se rotular.

Enquanto caminhavam, Lautaro foi admirando cada um dos pequenos prédios da rua enquanto os admirava e via suas pequenas flores que ele nunca entenderia quais seriam os nomes porque ele simplesmente nunca tinha dado atenção para aquele tipo de coisa.

Aqui tem bastante flores. - Comentou Lautaro.

Sim. O bairro é famoso por seus jardins.

Eu percebi. São lindas.

Você gosta?

Não conheço muito.

Eu também não, mas acho todas lindas e principalmente suas cores quando ficam na primavera. Nova Iorque tem a sua beleza.

Você gosta daqui?

Um pouco caótico, mas eu não consigo trocar essa cidade.

É. - Assentiu ele. - Também me apaixonei por aqui e eu nem consigo explicar o quanto e o como eu fico preso a este lugar. Provavelmente ficarei aqui para sempre.

Eu também. - Sorriu ele apontando para o bar do outro lado da rua. - É bem ali.

O bar tinha um ambiente um pouco escuro e com luzes ao fundo um pouco avermelhadas. Algumas pessoas estavam sentadas de forma dividida em algumas mesas enquanto outras estavam sentadas ao balcão. Elas conversavam enquanto suas vozes se misturavam às músicas ao som do ambiente.

Onde você quer sentar? - Perguntou Scott.

Onde você preferir. - Sorriu Lautaro que, para ele, que não se importava com o lugar em que eles se sentariam.

Vamos ficar aqui dentro? - Scott correu seus olhos pelo o ambiente tentando buscar alguma mesa que fosse afastada o suficiente das outras pessoas e que eles conseguissem ficar um pouco mais a sós e conversarem enquanto a música ecoava ao fundo sem que eles precisassem falar um pouco mais alto para que conseguissem se comunicar um com o outro.

Os dois foram caminhando até uma das mesas e Scott agarrou uma das cadeiras para que Lautaro pudesse se sentar. Lautaro estranhou inicialmente e logo em seguida se sentou esperando que Scott sentasse em sua frente.

O que você gostaria de beber? - Perguntou Scott.

O que temos aqui?

Temos algumas bebidas. - Ele inclinou a cabeça como se buscasse por alguém que pudesse atendê-los naquele momento e enquanto procurava por alguém, Lautaro continuava o observando e tentava encontrar o ponto alto entre a curiosidade e o interesse. O que ele estava sentindo naquele momento pelo rapaz que puxou uma cadeira para que ele se sentasse? Lautaro evitou ficar pensando naquilo e balançou a cabeça como se quisesse não pensar a respeito daquilo naquele momento e abaixou o olhar enquanto Scott fazia sinal para que o rapaz se aproximasse.

Eu gostaria de pedir... Não sei, uma cerveja. - Comentou ele enquanto olhava para Lautaro. - E quanto a você? O que você gostaria de beber?

Eu vou pedir o mesmo.

Tudo bem. Duas cervejas, por favor.

O rapaz falou algumas marcas que estavam disponíveis naquele momento enquanto Lautaro não prestava a atenção no que ele falava e ignorava as opções prestando a atenção novamente em Scott que parecia um entendido sobre cervejas e escolhia alguma marca aleatória que nem ele ouviu, mas que o rapaz simplesmente assentiu com a cabeça e foi caminhando até o balcão onde pediu as bebidas para o outro rapaz que estava do outro lado.

Eu gosto daqui. - Comentou Scott olhando ao redor. Tinha poucas pessoas ali, onde o bar não estava muito cheio, mas também não muito vazio ao ponto de não estar completamente os dois ali de uma forma que os atendentes esperassem para que eles fossem embora para fechar e irem para a sua casa.

Você costuma vir sempre aqui?

Algumas vezes. Normalmente quando estou sozinho em casa, acabou caminhando até aqui. Gosto de conhecer novos lugares.

Eu preciso fazer isso mais vezes.

Você não é de sair muito?

Eu costumo sair, mas não tanto para lugares assim, com muita gente e com muita frequência. Eu às vezes sinto que eu preciso conhecer novas pessoas.

Conhecer novas pessoas? - Riu Scott enquanto o rapaz trazia as cervejas e as colocava sob a mesa.

Conhecer novas pessoas.

Em que sentido?

Conhecer. Como você conhece novas pessoas?

Normalmente frequentando bares e algumas vezes pelas galerias.

Você já participou muito de exposições como essa?

Algumas vezes. Eu não as crio com muita frequência. Minha criatividade não flui muito como eu gostaria.

Com que frequência.

Talvez duas ou três vezes ao ano. Algumas vezes consigo pintar muito durante três meses seguidos e outras vezes fico uns seis meses sem pintar e pensar em nada. E quanto a você?

Eu normalmente não tenho sentido muita dificuldade, mas já fiquei alguns meses sem conseguir criar nada. Eu tentava me sentar para desenhar algo ou rabiscar e simplesmente não conseguia que nada ficasse em papel. Meus papeis terminavam sempre amassados em um lixo do lado da minha mesa.

Quantas histórias já não foram para o lixo?

Muitas. - Riu Lautaro.

Você não consegue amassar suas histórias. Consegue?

Normalmente eu perco meus quadros ou acabo pincelando todos eles com raiva deixando uniformemente em cores pretas e os deixo de lado e depois acabo misturando alguma cor que eles se tornam até apresentáveis. Hoje levei um deles para a galeria e para a minha surpresa foi um dos que mais chamou a atenção.

Você consegue aproveitar suas histórias. Digo, os seus quadros.

Para mim é mais fácil, eu acho. Você não consegue apagar seus desenhos. Consegue?

Não consigo, mas essa conversa me faz pensar que talvez eu consiga contorná-los de alguma forma.

Você já tentou?

Não deu muito certo, mas vou tentar. Quem sabe não dão belas artes.

Eu vejo bastante talento em você. Sabia?

Obrigado! Já me falaram isso hoje.

Eu normalmente não vejo muito isso nas pessoas, mas vejo que você consegue fazer muita coisa interessante com carvão e sombreá-los de uma forma que todos os traços ficam fortes e ao mesmo tempo tão delicados que a nossa atenção fica presa a todos eles.

Lautaro compreendeu aquilo como um elogio, mas sentiu um pouco de vergonha ao ponto de sorrir e abaixar o olhar mais uma vez enquanto Scott tentava manter seu olhar fixo em seus olhos.

Você é um pouco tímido. - Sorriu Scott.

Normalmente não, mas estou ficando com estes elogios. - Riu ele.

Elogios constrangem, não é mesmo?

Um pouco. - Sorriu.

Eu gosto de ser elogiado. Normalmente não vejo beleza nos meus abstratos e quando alguém elogia, eu simplesmente sorrio e agradeço como se conseguisse compartilhar o mesmo sentimento que a pessoa tem ao olhar suas cores e seus traços.

Mas são todos muito incríveis.

Eu sei. - Sorriu ele. - Não que eu esteja sendo convencido, mas eu reconheço que são. São bonitos, mas muitas vezes cada um interpreta de um jeito e muitas vezes apenas os olham e pensam “Gostei” e não veem nada. Abstratos. - Sorriu Scott.

Abstratos.

Scott conseguia ser como um de seus quadros que de tão abstrato conseguia ser tão interessante quanto todas as artes que ele dizia não gostar. Lautaro se sentia cada vez mais interessado por Scott que naquele momento todas as suas dúvidas se tornaram interesse e toda a sua curiosidade tinha aumentado de uma forma que fazia com que ele pensasse que eles deveriam se encontrar mais vezes e que toda aquela conversa fazia com que ele se quer se importasse com a hora e o encontro com Anne Steves no dia seguinte. Ele estava ali e naquele momento era a única coisa que ele conseguia pensar naquele agora.

Scott também pensava o mesmo a respeito de Lautaro e não conseguia pensar em outra coisa além daquele momento em que estavam juntos. Suas mãos estavam em cima da mesa distantes o suficiente para que ele se perguntasse com quantos exatos segundos ele conseguiria chegar para agarrar a mão de Lautaro e entrelaçar os seus dedos nos dele enquanto também se perguntava se ele deveria fazer aquilo.

Rapidamente, Scott estendeu a mão para agarrar a mão de Lautaro e em um único movimento totalmente despercebido, Lautaro levou a mão no copo fazendo com que o encontro não acontecesse fazendo com que Scott ficasse completamente perdido e voltasse com sua mão em direção ao seu corpo e também agarrasse o copo.

Amanhã eu tenho um encontro. - Comentou Lautaro.

Um encontro? - Scott estranhou. Era tudo que ele precisava escutar. Um encontro. Que tipo de encontro ele teria e por qual motivo ele estava falando aquilo? Ele se perguntava. - Que legal!

É, um encontro profissional.

Um encontro profissional?

Eu conheci hoje através de uma... amiga... na galeria e ela comentou que tinha um amigo que poderia se interessar por minhas ilustrações.

Ah, um interesse no que você faz. - Riu Scott. - É interessante. - Disse ele se perdendo nas palavras e entendendo que talvez não fosse exatamente um encontro, mas um encontro diferente do que ele tinha imaginado que seria.

É um editor e eu ainda não sei muitos detalhes, mas sei que talvez tudo isso possa interessar para ele.

Você vai se encontrar com um editor? - Perguntou Scott sentindo-se ainda mais atraído por Lautaro e colocando seus braços em cima da mesa ao ponto de seu corpo ficar completamente inclinado e mais próximo de Lautaro de forma que ele conseguia demonstrar mais interesse naquele rapaz.

Sim.

E você ficaria em casa essa noite?

Teria ficado.

Eu não consigo acreditar. - Comentou ele incrédulo. - Sem ao menos beber nada?

Eu não tinha pensado em comemorar. - Disse ele.

Que bom que me encontrou.

Por um lado.

Por um lado? - Riu ele.

Você pode fazer com que eu perca o horário amanhã.

Por um bom motivo.

Talvez eu me atrase.

Ah, mas em Nova Iorque, estamos sempre atrasados mesmo.

Verdade. Quem não se atrasa em Nova Iorque hoje?

Estamos sempre atrasados nessa cidade. Estão todos correndo para tudo que a minha sensação é de estar parado o tempo todo e atrasado para tudo ao mesmo tempo.

Eu normalmente tento sair mais cedo.

Eu sempre me atraso.

Eu tento me organizar.

Eu sempre atrapalho.

O que mais?

Perco as chaves, antes de sair e passo boa parte do tempo procurando sem ao menos encontrar e quando vejo já perdi tanto tempo procurando e elas estão sempre no meu bolso.

Eu acho que eu nunca perdi as chaves. Quer dizer, eu não me lembro de já tê-las procurado.

Você nunca procurou uma chave?

Não que eu me lembre.

Nossa. - Riu Scott. - Parece que eu estou sempre procurando as minhas chaves. Qual é o seu segredo?

Procura direto no seu bolso.

No meu bolso?

Elas não estão sempre no seu bolso?

Verdade. Eu vou tentar pensar nisso da próxima. - Scott ficou ainda mais interessado em Lautaro a partir daquele comentário tão oportuno que feito de forma tão inocente que o fez realmente pensar a respeito do que sugerir nos próximos minutos a partir dali.

Durante aquela conversa, Scott pensou que poderia facilmente agarrar as mãos de Lautaro e aos poucos se aproximar dele para senti-lo cada vez mais próximo de si. Enquanto Lautaro conversava, seus olhos corriam pela mesa e ele tentava calcular cada um dos movimentos que ele poderia fazer para que pudesse chegar até Lautaro rapidamente sem que ele se esquivasse como havia acontecido anteriormente. Ao mesmo tempo que ele pensava em tentar uma aproximação, ele se perguntava se deveria fazê-lo naquele momento ou se deveria apenas aguardar algum momento mais específico.

Preciso ir ao banheiro. - Comentou Lautaro olhando para um dos lados como quem procurava por algo. - Onde fica?

Fica logo ao final do corredor. - Apontou Scott.

Lautaro se levantou e seguiu caminhando até o final do corredor onde estava uma das cabines do banheiro masculino. Com uma de suas mãos, ele girou a maçaneta e a sentiu a travada, provavelmente devido a alguma outra pessoa estar ocupando-a naquele momento. Ao bufar, ele revirou os olhos e ao agarrar o telefone no bolso se certificou de que já estava prestes a completar uma da manhã. Está um pouco tarde. Ele pensou. Ao mesmo tempo que ele começava a se preocupar com o horário, ele correu seus olhos até Scott que ainda sentado na mesa parecia estar observando o movimento do bar enquanto o seu pensamento parecia estar longe. Em um movimento completamente despretencioso, Scott inclinou a cabeça enquanto seu olhar se cruzou com o de Lautaro que enquanto estava de pé, no final do corredor, ainda o admirava. Lautaro sentiu a porta à sua frente se abrir e abaixou a cabeça dando abertura para que o rapaz que estava dentro da cabine passasse por ele e ele entrasse logo em seguida.

Enquanto aguardava na mesa, Scott agarrou o seu telefone no bolso e deslizou com os dedos a sua tela de bloqueio para navegar na bandeja de aplicativos e buscou por um navegador qualquer onde buscou através do site de pesquisas do Google, o nome de Lautaro Nova Iorque Desenhista.

Qual seria o sobrenome de Lautaro? Ele se perguntava enquanto deslizava o seu dedo na primeira página de resultados e sem encontrar nada que pudesse fazer menção à Lautaro em si, ele em seguida selecionou a opção de “Imagens” para ver se conseguia localizar alguma e mais uma vez nada de Lautaro. Como ele faz para estar na internet? Ele sussurrou. Assim que bloqueou o telefone, ele pôde notar de canto de olho Lautaro se aproximando com as mãos no bolso e sentando-se à mesa novamente.

Quer beber mais alguma coisa? - Perguntou Lautaro.

Por mim, tudo bem, podemos beber mais uma cerveja.

Ótimo! - Concordou Lautaro inclinando o pescoço para buscar o rapaz que estava atendendo a mesa para pedir a ele mais duas cervejas.

Eu só estou preocupado com o seu horário amanhã.

Eu consigo me virar.

Seus desenhos. - Comentou Scott. - Eles estão lá em casa.

Preciso busca-los.

Ou se precisar, pode ficar lá, tranquilo. Eu coloco uma segunda cama ao chão para você. Não tem muito espaço, mas dá você descansar.

Lautaro assentiu com a cabeça. O rapaz chegou com mais algumas duas cervejas e as colocou em cima da mesa e enquanto a conversa esvaia pelas horas da noite, outras garrafas se acumulavam ao redor da mesa. Em meio a sorrisos discretos e gargalhadas um pouco mais eufóricas, os dois já estavam próximos o suficiente para se conhecerem e saberem desde seus lugares favoritos em Nova Iorque, quanto seus filmes preferidos, séries e até mesmo suas músicas e bandas favoritas.

Já se passava das três da manhã e as pessoas já estavam de saída. Scott se levantou e foi caminhando até o caixa junto a Lautaro para que eles pudessem pagar a comanda e ao encerra-la, os dois saíram pelas ruas da Carroll, com as mãos no bolso e um pouco encolhidos devido à temperatura que estava um pouco baixa naquela madrugada.

Com comentários aleatórios a respeito do tempo e do clima em Nova Iorque, eles foram caminhando até a casa de Scott onde ao entrarem eles sentiram a temperatura ficar um pouco mais amena onde todo aquele frio gélido da rua já tinha ficado para trás. Scott foi subindo as escadas na frente enquanto Lautaro tentava se apoiar atrás, ele se sentia um pouco bêbado demais devido a quantidade de bebidas que tinham bebido naquela noite.

Em um dos degraus, Lautaro se desequilibrou e ao tentar se equilibrar se segurou em meio ao tecido da calça de Scott que com o impacto acabou tendo o seu corpo puxado para trás.

Desculpa! - Riu Lautaro.

Você está bem? - Perguntou Scott.

Estou.

Parece que está um pouco alto.

Eu não estou acostumado a beber.

Tudo bem. Venha... - Disse Scott dando abertura para que Lautaro passasse em sua frente. Ele passou suas mãos em torno a cintura de Lautaro e o conduziu até a porta de entrada do apartamento onde em seguida, ele enfiou as chaves e as girou, destrancando a porta.

Enfim, aqui estamos. Vou pegar uma água para você. - Disse Scott retirando os sapatos ao lado da porta e caminhando até a geladeira.

Enquanto Scott abria a geladeira, ele se preparava para retirar o suéter que começava a incomodá-lo. Com as duas mãos cerradas na borda de baixo do suéter, em sentidos contrários, ele o puxou tirando-o de seu corpo rapidamente fazendo com que uma regata completamente colada em seu corpo se enrolasse na borda do suéter, fazendo com que o seu corpo ficasse completamente exposto aos olhos de Lautaro.

O corpo de Scott era coberto de tatuagens. Tatuagens que assimilavam artes tão escuras que pareciam seus desenhos traçados em carvão em folhas brancas e lisas. O pescoço de Scott era completamente desenhado por uma rosa que contornava a parte lateral do pescoço de onde saia o desenho do trapézio até a parte traseira da orelha. Scott era realmente uma obra de arte, ele parecia um daqueles quadros abstratos os quais ele conseguia facilmente expor em uma exposição em uma tarde de inverno na Times Square, mas era uma obra de arte única.

Enquanto tentava manter seu olhar fixo em Scott, ele se afastava lentamente para que Scott não percebesse que ele estava completamente apaixonado pelo o que estava vendo. Ele pensou em fazer alguns comentários relacionados às tatuagens e perguntar sobre os seus respectivos significados e tudo aquilo que elas representavam para ele, mas ao mesmo tempo que ele tinha todas aquelas perguntas, ele também tentava buscar a melhor forma de perguntá-las para que ele não se sentisse nenhum pouco invadido.

Scott se aproximou de Lautaro e com a mão estendida entregou a ele um copo de água. Lautaro agradeceu com a cabeça e deu a primeira golada enquanto ainda observava as suas tatuagens.

O que são? - Perguntou Lautaro entre uma pausa e outra.

As tatuagens?

Sim. São lindas.

Eu fiz em diversos momentos da minha vida. Nem me recordo de quais desenhos eu tenho espalhados pelo corpo.

Eu gosto dessa. - Comentou ele apontando para uma das tatuagens que ficava na região do ombro de Scott.

Eu fiz quando tinha vinte e cinco anos de idade. São pontos cardeais que se misturam a uma corda e uma bússola. Não sei se você vai conseguir ver daí. - Disse ele virando o braço para que Lautaro pudesse identificar um pouco mais do desenho.

Os traços são realmente muito bonitos.

Você tem alguma?

Não, mas eu sinto vontade de fazer um dia. Eu nunca consigo pensar em algum desenho que combine comigo.

Você?

É, pois é.

Deve ter algum desenho que combine com você. Sei lá.

Talvez, mas ainda não cheguei a esse ponto de pensar em ter uma arte no meu corpo. - Sorriu ele.

Bom, acho que precisamos dormir. - Riu Scott. - Vou pegar algumas roupas de cama no quarto e ajeito aqui na sala para a gente. Tudo bem?

Lautaro assentiu com a cabeça e enquanto Scott caminhou até o quarto, ele ficou em silêncio sentado ao sofá retirando seu tênis e colocando ao lado da porta. Scott chegou em seguida, segurando uma bermuda e uma camiseta e estendeu a mão para que ele pudesse pegar.

Toma! Vista isso. É mais confortável para descansar.

Lautaro assentiu com a cabeça, agarrou a bermuda e camiseta e olhou para alguns cantos do apartamento como quem procurava o banheiro para se trocar.

Onde fica o banheiro?

Troca aí.

Na sua frente?

Qual é o problema? - Sorriu. - Mas é ali do lado esquerdo.

Lautaro foi caminhando até o banheiro e fechou a porta para que pudesse se trocar enquanto Scott ajeitava as camas ao chão para que eles pudessem se deitar em seguida. Não levou muitos minutos até que a porta do banheiro se abriu e Lautaro caminhou até uma das cadeiras da sala e pendurou seu casaco e sua calça junto e próximo aos seus pertences para que ficassem todos muito próximos ao ponto de ele não se esquecer nada.

Scott se sentou ao meio das almofadas no chão e se preparou para que pudesse se encostar para começar a se ajeitar para dormir. Em seguida, Lautaro fez o mesmo. Os dois corpos ficaram um pouco distantes e de uma forma tão estranha que fez com que Scott se acercasse um pouco mais de Lautaro. Ele pôde sentir o calor de sua perna se encostar na dele e enquanto Lautaro tentava identificar o que estava acontecendo, Scott levou uma de suas mãos até o braço de Lautaro e sem seguida e se aproximou dele tão lentamente e de uma forma tão preocupada como se ele quisesse pedir um beijo e nem se quer conseguisse usar quaisquer palavras que fossem o suficiente para esboçar todo o seu desejo de ter os seus lábios se tocando naquele momento.

Lautaro sabia, no fundo, o que estava prestes a acontecer. Ele poderia se esquivar, olhar para baixo, se desviar completamente ou tirar seu braço das mãos de Scott que estavam em torno ao seu braço, mas ele simplesmente se deixou ser tocado e conforme Scott se aproximava, ele abaixou seu olhar e olhando fixamente para os lábios de Scott, sentiu lentamente seus lábios se tocarem. O beijo foi tão lento e ao mesmo tempo tão delicado, que suas bocas ficaram juntas por alguns segundos, paradas, até que elas começaram a se movimentar de uma forma tão envolvente ao ponto de eles sentirem suas próprias respirações ofegantes tão próximas um do outro.

Seus corpos se encontravam em meio às almofadas no chão como as notas no ápice das estrofes da canção Reckoner da banda Radiohead, lançada em 2007. O corpo de Lautaro se inclinou para trás fazendo com que Scott caísse em cima dele e enquanto seus corpos se entrelaçavam, os dois simplesmente esqueciam de quantas horas faltariam até o amanhecer. Essa era a última preocupação de Lautaro naquele momento.

[PARTE VII] 10.01.25

[PARTE VIII] 15.01.25

[PARTE IX] 20.01.25

[FINAL] 25.01.25

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